quinta-feira, 18 de maio de 2017

Querido ex-amor,


Pergunto-me por onde você anda, o que está fazendo da vida, será que conseguiu um emprego ou já se decidiu qual curso quer fazer? Você sempre gostou de esportes, talvez se dê bem em Educação Física. Claro, tem o fato de que você é extremamente preguiçoso e prefere assistir do que praticar qualquer tipo de esporte. Você ainda tem um monte de gatos? Me lembro de como eu tinha dificuldade em decorar o nome de todos, sempre me confundia e você me corrigia com toda paciência do mundo. Como você está? Parou de brigar tanto com a sua mãe e de ser tão protetor em relação a sua prima caçula? Lembro o quanto essas questões de família mexiam com você, e como era difícil te acalmar quando algo acontecia.

Eu comecei a faculdade esse ano. As coisas saíram um pouco fora do controla, mas está tudo bem. O plano de ir pra bem longe vai demorar um pouco para ser posto em prática. Mas fazer o quê, né? De alguma forma sinto que estou no caminho certo. Sabe, se tem uma coisa que pude aprender no ano passado foi o quanto sou forte. Consegui passar por situações que jamais imaginei que aconteceriam, e bom, estou aqui, estou conseguindo me recompor. Várias foram as vezes em que pensei te procurar e pedir que me desse colo apenas mais uma vez. Consegui me conter, e cá estou eu. Não posso dizer que estou exatamente bem, mas estou no caminho. Pouco a pouco tudo está se ajeitando. Acho que esses meses sem você me fizeram mais forte do que jamais imaginei que eu pudesse ser. Estou orgulhosa de mim por isso. No começo foi bem difícil, sabe? Eu realmente não sabia o que fazer sem você aqui. Durante semanas fiquei abrindo seu contato no WhastApp, algumas vezes cheguei até mesmo bem perto de te mandar um 'oi', mas consegui me conter em todas as vezes. Me pergunto o que teria acontecido, você teria me respondido? Nós teríamos nos acertado? Estaríamos juntos agora? Ou você simplesmente pediria para que eu te deixasse em paz? Não sei.


Outro dia, não me contive e fui te procurar nas redes sociais. Sem querer acabei lendo um status que você postou algumas semanas depois que tudo aconteceu. Posso estar errada, mas aquelas palavras foram pra mim, não foram? Você realmente acreditou que eu não me importo mais? A verdade é que eu me importo, sempre me importei e tem uma parte minha que me diz que sempre irei me importar. Você foi uma parte importante da minha vida. Com você eu aprendi várias coisas, dentre elas que não nunca conhecemos alguém por completo. Sempre há uma parte, mesmo que pequena, que fica escondida e fora do nosso alcance. Só não podemos deixar que isso se torne um problema maior, igual deixamos acontecer. Deixamos que virasse algo maior, tão grande que não conseguimos lidar.

Me lembro até hoje das suas últimas palavras, sabia? "Vou te deixar em paz, se cuida". Eu queria gritar. Queria te socar e dizer que sem você era impossível eu ficar em paz. Mas não fiz nada disso. Apenas mandei você se cuidar também e desliguei o celular. Naquele momento meu mundo todo desabou. Eu me perdi. E aquilo foi apenas o começo de tudo o que tive que enfrentar o restante do ano. Não sei como consegui, mas cá estou eu. Cá estou eu escrevendo para você. E dessa vez não é nenhum texto romântico, não é nenhuma declaração. Apenas senti que deveria te escrever um último texto, que era preciso colocar tudo no papel e encerrar de vez essa parte da minha vida.

Sim, meu bem. Encerrar. Finalmente, depois de um ano, sinto que estou pronta para seguir em frente. Não sei bem para onde vou ou o que irei fazer, mas tudo bem. Eu finalmente estou em paz, a parte de me cuidar ainda estou aprendendo, mas isso dá pra ir levando. Apenas espero que você esteja bem, seja lá onde for, que você tenha conseguido se encontrar e colocar sua vida nos eixos. Apesar dos pesares, eu gostaria de saber por onde você anda e como estão indo as coisas na sua vida. Posso ter te superado, mas sempre haverá uma parte minha que se preocupa com você. Então, esteja onde estiver, saiba que te quero bem. 

sábado, 13 de maio de 2017

Resenha: E Se For Você?

Cal acaba de entrar na faculdade e divide seu tempo entre aulas e festas com os amigos. Até que ele encontra Nicole Bentley, por quem ele foi apaixonado quando criança, e de quem nunca mais tinha ouvido falar desde que se formaram na escola, há mais de um ano. O único problema é que... aquela garota não é Nicole. Ela é idêntica à menina que conviveu com Cal, mas seu nome é Nyelle Preston e, ao contrário de Nicole, essa garota é impulsiva e ousada, e só quer aproveitar a vida. Quando os segredos do passado e do presente começam a colidir, de uma coisa ele poderá ter certeza: nada é o que parece ser. Com uma narrativa envolvente e poética, Rebecca Donovan cria personagens cativantes que despertam diversos questionamentos e emoções: e se pudéssemos mudar de rumo? E se nos permitíssemos apenas aproveitar o momento? E se o amor for algo bem mais simples do que imaginamos?

Ficha Técnica:

Sinopse: Cal acaba de entrar na faculdade e divide seu tempo entre aulas e festas com os amigos. Até que ele encontra Nicole Bentley, por quem ele foi apaixonado quando criança, e de quem nunca mais tinha ouvido falar desde que se formaram na escola, há mais de um ano.O único problema é que... aquela garota não é Nicole. Ela é idêntica à menina que conviveu com Cal, mas seu nome é Nyelle Preston e, ao contrário de Nicole, essa garota é impulsiva e ousada, e só quer aproveitar a vida. Quando os segredos do passado e do presente começam a colidir, de uma coisa ele poderá ter certeza: nada é o que parece ser.
Autora: Rebecca Donovan
Editora: Globo Alt
Número de Páginas: 416



Cal, Rae, Richelle e Nicole são amigos de infância, os quatros cresceram juntos. A história é narrada por Cal, Richelle e Nicole. Onde as duas garotas narram acontecimentos do passado que vão fazendo tudo se encaixar aos poucos na trama. Enquanto Cal, narra o presente e algumas de suas lembranças do passado.

Tudo ia bem com o pequeno grupo, até que Richelle se muda para outra cidade e os deixa lá. Desde então, Nicole se afasta dos outros dois amigos e passa a ignora-los. Cal que sempre foi apaixonado por Nicole, tenta se aproximar dela várias vezes durante o ensino médio, mas não tem sucesso algum com suas tentativas, até que ele desiste.

Já na faculdade, Cal conhece uma garota idêntica a Nicole em uma festa. Mesmo sabendo que era impossível a ex-amiga estar frequentando a mesma faculdade que ele, já que ela deveria ter ido para Harvard, ele tenta se convencer de que aquela garota de olhos azuis tão iguais aos de Nicole não é ela e sim Nyelle Preston, quem ela diz ser.

Cal e Nyelle começam a se aproximar. Nyelle é completamente diferente de Nicole, mas ainda sim Cal não consegue tirar da cabeça de que as duas sejam a mesma pessoa. E a medida que ele vai conhecendo Nyelle, mais vai se torturando tentando descobrir quem realmente é aquela garota de olhos azuis e porque ela é tão cheia de mistérios. Várias perguntas e duvidas vão surgindo na cabeça de Cal, mas cada vez que ele parece se aproximar da verdade, a garota dá um jeito de fugir. A pergunta que o assombra durante toda a história é: Nyelle é mesmo Nicole?

Esse livro conseguiu me deixar presa nele durantes dias e dias. Confesso que me surpreendi bastante com os acontecimentos, principalmente nos capítulos finais. A brincadeira de narrar o presente e o passado, com certeza foi fundamental para o leitor ir encaixando as peças e entender o que realmente aconteceu aos personagens. É uma leitura fácil, embora eu tenha levado cerca de quase um mês para terminar pela quantidade de páginas. Vale muito a pena ler.

domingo, 30 de abril de 2017

Rascunhos sobre nós

Tem algo aqui dentro do meu peito, não sei exatamente definir o que é, mas dói toda vez que penso em você. E por algum motivo, está sendo inevitável não pensar em você. Me pergunto o que é isso, o que está acontecendo comigo? Você sempre me fez tão bem, por quê tá doendo desse jeito? Onde foi que as coisas começaram a dar errado? Sabe, sinto falta de como tudo era tão simples antes. Como fomos deixar isso tão complicado?

É como se algo extremamente pesado estivesse massacrando meu peito. Tudo que eu queria agora era correr para os seus braços e te ouvir dizer que vamos dar um jeito, que vai ficar tudo bem. Mas você não está aqui, não mais. Não consigo te alcançar. Eu quero gritar. Quero te gritar. Quero pedir que você volte, mas não posso. Não consigo nem mesmo te chamar, não me resta forças. Gastei toda energia que eu tinha tentando consertar as coisas.

Eu tentei tanto. Nunca te quis tão longe assim, pelo contrário. E agora, mais do que nunca, eu te quero aqui. Eu preciso de você aqui. Preciso te sentir. Preciso ter a certeza de que ainda podemos consertar tudo isso. Por favor, me diga que ainda podemos dar um jeito nisso. Diga que o que temos é maior que tudo isso. Diga que me quer por perto. Acredita em nós. Nós podemos fazer dar certo, eu sei que sim.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Acabou


Eu gostaria de dizer que não superei você. Apesar que costumo dizer a mim mesma que superei. A verdade é que não tenho certeza se quero superar. Você foi uma parte tão linda da minha vida que me dói saber que acabou. E acabou por quê? Eu não sei, e é isso que mais dói. Saber que tudo acabou assim, sem nem mesmo ter um motivo. A última vez que tentamos falar sobre isso tudo ficou meio confuso, eu te acusei de ter se afastado e você me acusou de ter te afastado. No começo parecíamos dispostos a consertar as coisas, mas não foi bem assim que aconteceu, né?! Nas primeiras semanas até tive a esperança de que tudo voltaria ao normal. Mas não voltou, não foi como esperado. Nós mudamos muito. Você não é mais o mesmo. Eu não sou mais a mesma. E talvez não aja mais espaço para mim na sua vida. Do mesmo modo que talvez não aja espaço para você na minha.

Sabe o que é mais estranho de tudo? É que eu tinha certeza que seríamos para sempre. Nós tínhamos planos, tínhamos tudo planejado. Viajaríamos o mundo juntos e quando estivéssemos cansados, escolheríamos uma cidade, alugaríamos um apartamento ou uma casa e faríamos daquele lugar nosso lar. Num futuro distantes nós iríamos nos separar, claro, você teria sua família e eu a minha, mas até lá já teríamos vivido juntos tudo e mais um pouco do que havíamos planejado.

Nós não vamos viajar o mundo juntos, não mais. Não vamos morar juntos, não seremos você e eu contra o mundo. Não mais. Estamos longe demais para fazer tudo isso acontecer. E essa nossa distância é a pior coisa que poderia existir entre nós. Estamos tão perto e ao mesmo tempo tão longe. No mesmo estado, mas em mundos diferentes. Na mesma cidade, mas em universos paralelos. Te vejo, mas não posso te tocar. Você me vê, mas não pode me alcançar. Tudo o que tivemos juntos foi reduzido a pequenos flashs de memórias, algumas fotos e nada mais.

É doloroso dizer isso em voz alta, mas a verdade é que não somos mais os mesmos. Acabou. Não há mais nada que nos prenda um ao outro. Acabou.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Era amor, sempre foi amor

Ele me olhava com aqueles olhos grandes, me olhava e sorria como quem diz "eu sei exatamente o que você está pensando". E eu não resisti, me joguei em seus braços. Era sempre assim, ele me ganhava numa facilidade incrível e tudo o que eu queria era me jogar em seus braços. Ele tinha uma risada tão gostosa de ouvir, que eu poderia muito bem gravar e colocar como toque no celular, mas ele insistia em dizer que era feia.

Nós sempre tivemos nossas diferenças. Sempre fomos completos opostos, eramos o tipo de casal que tudo gerava brigas. Até mesmo a escolha de um filme no cinema ou o que jantar na sexta-feira a noite, eram motivos de brigas. Ele sempre queria assistir filmes de ação, enquanto eu não abria mão das minhas comédias românticas. Não havia nada em que combinássemos, senão o que sentíamos um pelo o outro. Era amor, sempre foi amor. E foi esse amor que nos manteve um ao lado do outro por tanto tempo. Não importava o quão séria tinha sido a briga, no fim da noite ele envolvia os braços em torno do meu corpo e eu o abraçava apertado.

Houve um tempo em que achei que seria para sempre. As brigas haviam cessado, parecia que finalmente, estávamos seguindo o mesmo caminho. Mas eu não poderia estar mais errada. Estávamos cada um seguindo seu caminho, como já era de se esperar, caminhos opostos. Ele conseguiu um emprego em outro lugar, e eu, bem, eu fiquei aqui. Ele foi embora com a promessa que voltaria algum dia para me buscar. E eu o esperei. O esperei durante as noites quentes de verão e os dias frios de inverno. Eu esperei. Por muito tempo fiquei esperando que a porta se abrisse e ele entrasse com um sorriso no rosto dizendo que estava de volta, que não conseguiria viver sem mim. Mas nada disso aconteceu. Ele não voltou. Ele nunca mais voltou.

Os primeiros meses sem ele, foram os mais difíceis da minha vida. Tudo naquele minusculo apartamento me lembrava dele, desde o pequeno rasgo no sofá até os quadros na parede. Era um ninho de lembranças. Lembranças das quais eu precisava me livrar. Eu estava presa e não conseguia achar uma saída, senão fazer o mesmo que ele: partir. E foi o que fiz. Fui embora sem olhar para trás. Não levei nada comigo. Deixei todas as lembranças para trás, me libertei daquelas amarras que me prendiam por tanto tempo.

Outro dia, depois de muito tempo, esbarrei com ele. Ele não pareceu me reconhecer, mas eu o reconheci. O corte de cabelo estava diferente, o modo como ele se vestia também, mas o sorriso, o sorriso continuava o mesmo, assim como aquele par de olhos castanhos, que agora, estavam escondidos por trás de uma armação marrom de óculos. Naquele momento, percebi que tudo havia acabado. Até então, por mais óbvio que fosse, eu não conseguia aceitar isso. Uma parte minha sempre quis acreditar que ele voltaria algum dia e me tomaria em seus braços. Mas ali, apenas dois metros de distância dele, eu pude ter o meu tão esperado desfecho. Acabou. E sinceramente? Estava tudo bem. Pela primeira vez em muito tempo, eu estava livre. Livre para seguir em frente. Livre para me entregar a um novo amor.