domingo, 6 de agosto de 2017

Deixo você ir

Se quiser, posso te deixar ir. Não vou insistir, te deixarei livre. Se for isso o que você quer, tudo bem. Não vou te prender. Não seria justo com você, nem mesmo comigo.

Não sei o que vai ser de mim. Mas tudo bem. O amor é isso, certo? O amor não prende. O amor não tem como ser forçado. Então, por favor, vá. Siga seu caminho, que eu seguirei o meu.

Caso sinta saudades, sabe onde me encontrar. Mas só volte se for pra ficar, não quero ter que lidar com várias despedidas. Não sou boa com isso. Não sei lidar com finais, eu não consigo.

E se você voltar, não vou conseguir te deixar ir de novo. Então, não torne isso mais difícil do que já está sendo. Quando estiver pronto para ficar de vez, estarei aqui. Até lá, siga seu caminho, que eu seguirei o meu.

Isso não é um adeus. E sim um até logo. Porque sei que cedo ou tarde, nos caminhos irão se cruzar novamente e você não irá mais sair do meu lado.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Não vá contra a maré

Vejo várias pessoas, cada uma com seu caos. Estão todos juntos, mas, ao mesmo tempo, cada um está só. Cada um está por conta própria, não há união. Eles não aprenderam a ser assim. Estão ali esperando para ver quem será o próximo a cair, torcendo para não ser a bola da vez.

É um verdadeiro caos, só que – quase – ninguém vê. Quem consegue ver, prefere se calar, não quer ser tachado de louco. Afinal, por algum motivo, qualquer um que pense diferente é chamado de louco.

Não se pode nadar contra a maré, ou você se torna peixe morto. E ninguém liga para peixe morto. É isso que eles ensinam. Crescemos ouvindo isso. Não faça isso, seja normal, seja como eles. Não diga isso, seja normal, seja como eles. Não vista isso, seja normal, seja como eles. Vá à igreja todos os domingos.

Se você for jovem e menina, seja comportada, se guarde para o casamento, não aja como puta, não vista roupas indecentes. Se você for jovem e menino, seja garanhão, seja o “fodão” da turma, não seja marica, não seja mulherzinha. Se você já for adulto, bom, as regras não mudam muito. Se você for mulher, case-se, o mais rápido possível, se passar dos 30 fica para titia, tenha filhos, seja dona de casa, seja esposa, seja mãe, mas lembre-se: seja recatada, não use roupas curtas, seja leal – submissa – ao seu marido, seja do lar. Se você for homem, aproveite ao máximo a vida de solteiro, beba todos, viaje pelo mundo, tenha uma vida sexual ativa, quando riscar tudo da sua lista, arranje uma mulher de “família”, tenha um trabalho fixo que te dê uma boa condição social e continue a ter a vida de antes, quem sabe até mesmo não ter uma segunda família em outra cidade ou uma aventura com uma mulher mais nova? Quem se importa? Homens. Sabe como são, não? Não dá pra segurar. Só não se esqueça: vá na igreja todos os domingos, pague seu dízimo ou seus pecados não serão perdoados.

E aqueles que vão contra a maré, os peixes mortos, os loucos? Ah, ninguém quer saber deles. Pelo contrário, os querem longe, o mais longe possível. São maus exemplos, não vão à igreja aos domingos, não seguem os padrões, são completamente diferentes da multidão. No meio deles há mulheres que não são mais virgens e nem se quer casaram, há homens presos em corpos femininos e vice-versa. Que absurdo, não é? São maus exemplos, dizem a maioria. Eles não deveriam estar aqui. Eles não deveriam existir. Deus não criou ninguém assim. Mulher tem que se guardar até o casamento. Homens devem gostar apenas de mulheres. Mulheres devem gostar apenas de homens. Meninas não devem brincar de bola e meninos não devem brincar de bonecas. Não. Não é assim. Cada um tem seu papel, mas eles não seguem. Eles continuam indo contra a maré. Eles parecem tão felizes. Mas quem se importa? Não são a maioria. São pecadores. Não, não podemos nos misturar. Devemos mandá-los para a longe. Precisamos fazer com que eles se calem. Está ouvindo esses gritos? Ignorem. Continuem a seguir suas vidas. Não podemos deixá-los acabar com a família tradicional. Pelo contrário, devemos tentar convencê-los a nos seguirem. Mostrar-lhes o quão errado estão. E daí se estão felizes? Eles irão para o inferno. E daí se não parecem ser tão solitários quanto nós? Eles não estão seguindo as regras.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Clipe “Na Sua Cara” e a representatividade LGBT


Se tem uma coisa que deu o que falar nesses últimos dias, é o clipe da cantora Anitta junto com a cantora e drag Pabllo Vittar. Pra quem não sabe do que estou falando, vou fazer um breve resumo. Anitta, como todos conhecem, começou sua carreira no Brasil como cantora de funk, mas nos últimos anos ela veio se destacando em meio a mídia e o mundo musical, revolucionando a música pop do Brasil. Quem acompanha sua carreira desde o início, sabe bem do que estou falando. Agora vamos falar da Pabllo, quem é ela? Pabllo é nada mais nada menos que uma cantora pop que vem ganhando seu espaço na música pop brasileira. Ouso até mesmo dizer que Pabllo está conseguindo causar uma verdadeira mudança no cenário musical do país,  por ser uma cantora representante da comunidade LGBT.

Há umas semanas, a notícia que sairia um feat entre Anitta e Pabllo com o grupo de música eletrônica, Major Lazer, tomou conta da internet. Principalmente nos meios LGBT, uma vez que tanto Anitta quanto Pabllo tornaram-se ícones do movimento. Desde então, o que mais estava sendo esperado por esse público era o lançamento do clipe da música “Na Sua Cara”. Várias imagens e vídeos da gravação do clipe rodaram toda a internet deixando os internautas cada vez mais ansiosos e cheios de expectativas para seu lançamento.

No último domingo (30), durante uma festa especialmente para o público LGBT, aconteceu o tão esperado lançamento do clipe. Apesar de não ter correspondido a expectativa de alguns, Na Sua Cara não deixou de ser um “lacre”. Não só pela produção do clipe, o cenário e tudo mais. Mas principalmente pela representatividade que deu ao público LGBT ao darem voz a uma cantora como a Pabllo. Isso, sem dúvidas, foi um marco nessa nova fase da música pop brasileira. Pela primeira vez, temos um sucesso brasileiro estourado de uma cantora drag. Não é difícil ver que está acontecendo uma revolução não só na música, como em toda a sociedade.


sábado, 13 de maio de 2017

Resenha: E Se For Você?

Cal acaba de entrar na faculdade e divide seu tempo entre aulas e festas com os amigos. Até que ele encontra Nicole Bentley, por quem ele foi apaixonado quando criança, e de quem nunca mais tinha ouvido falar desde que se formaram na escola, há mais de um ano. O único problema é que... aquela garota não é Nicole. Ela é idêntica à menina que conviveu com Cal, mas seu nome é Nyelle Preston e, ao contrário de Nicole, essa garota é impulsiva e ousada, e só quer aproveitar a vida. Quando os segredos do passado e do presente começam a colidir, de uma coisa ele poderá ter certeza: nada é o que parece ser. Com uma narrativa envolvente e poética, Rebecca Donovan cria personagens cativantes que despertam diversos questionamentos e emoções: e se pudéssemos mudar de rumo? E se nos permitíssemos apenas aproveitar o momento? E se o amor for algo bem mais simples do que imaginamos?

Ficha Técnica:

Sinopse: Cal acaba de entrar na faculdade e divide seu tempo entre aulas e festas com os amigos. Até que ele encontra Nicole Bentley, por quem ele foi apaixonado quando criança, e de quem nunca mais tinha ouvido falar desde que se formaram na escola, há mais de um ano.O único problema é que... aquela garota não é Nicole. Ela é idêntica à menina que conviveu com Cal, mas seu nome é Nyelle Preston e, ao contrário de Nicole, essa garota é impulsiva e ousada, e só quer aproveitar a vida. Quando os segredos do passado e do presente começam a colidir, de uma coisa ele poderá ter certeza: nada é o que parece ser.
Autora: Rebecca Donovan
Editora: Globo Alt
Número de Páginas: 416



Cal, Rae, Richelle e Nicole são amigos de infância, os quatros cresceram juntos. A história é narrada por Cal, Richelle e Nicole. Onde as duas garotas narram acontecimentos do passado que vão fazendo tudo se encaixar aos poucos na trama. Enquanto Cal, narra o presente e algumas de suas lembranças do passado.

Tudo ia bem com o pequeno grupo, até que Richelle se muda para outra cidade e os deixa lá. Desde então, Nicole se afasta dos outros dois amigos e passa a ignora-los. Cal que sempre foi apaixonado por Nicole, tenta se aproximar dela várias vezes durante o ensino médio, mas não tem sucesso algum com suas tentativas, até que ele desiste.

Já na faculdade, Cal conhece uma garota idêntica a Nicole em uma festa. Mesmo sabendo que era impossível a ex-amiga estar frequentando a mesma faculdade que ele, já que ela deveria ter ido para Harvard, ele tenta se convencer de que aquela garota de olhos azuis tão iguais aos de Nicole não é ela e sim Nyelle Preston, quem ela diz ser.

Cal e Nyelle começam a se aproximar. Nyelle é completamente diferente de Nicole, mas ainda sim Cal não consegue tirar da cabeça de que as duas sejam a mesma pessoa. E a medida que ele vai conhecendo Nyelle, mais vai se torturando tentando descobrir quem realmente é aquela garota de olhos azuis e porque ela é tão cheia de mistérios. Várias perguntas e duvidas vão surgindo na cabeça de Cal, mas cada vez que ele parece se aproximar da verdade, a garota dá um jeito de fugir. A pergunta que o assombra durante toda a história é: Nyelle é mesmo Nicole?

Esse livro conseguiu me deixar presa nele durantes dias e dias. Confesso que me surpreendi bastante com os acontecimentos, principalmente nos capítulos finais. A brincadeira de narrar o presente e o passado, com certeza foi fundamental para o leitor ir encaixando as peças e entender o que realmente aconteceu aos personagens. É uma leitura fácil, embora eu tenha levado cerca de quase um mês para terminar pela quantidade de páginas. Vale muito a pena ler.

domingo, 30 de abril de 2017

Rascunhos sobre nós

Tem algo aqui dentro do meu peito, não sei exatamente definir o que é, mas dói toda vez que penso em você. E por algum motivo, está sendo inevitável não pensar em você. Me pergunto o que é isso, o que está acontecendo comigo? Você sempre me fez tão bem, por quê tá doendo desse jeito? Onde foi que as coisas começaram a dar errado? Sabe, sinto falta de como tudo era tão simples antes. Como fomos deixar isso tão complicado?

É como se algo extremamente pesado estivesse massacrando meu peito. Tudo que eu queria agora era correr para os seus braços e te ouvir dizer que vamos dar um jeito, que vai ficar tudo bem. Mas você não está aqui, não mais. Não consigo te alcançar. Eu quero gritar. Quero te gritar. Quero pedir que você volte, mas não posso. Não consigo nem mesmo te chamar, não me resta forças. Gastei toda energia que eu tinha tentando consertar as coisas.

Eu tentei tanto. Nunca te quis tão longe assim, pelo contrário. E agora, mais do que nunca, eu te quero aqui. Eu preciso de você aqui. Preciso te sentir. Preciso ter a certeza de que ainda podemos consertar tudo isso. Por favor, me diga que ainda podemos dar um jeito nisso. Diga que o que temos é maior que tudo isso. Diga que me quer por perto. Acredita em nós. Nós podemos fazer dar certo, eu sei que sim.